Visitar casas, sentado no sofá! A revolução no Imobiliário

Será que foi precisa uma pandemia mundial para se iniciar uma revolução no mercado imobiliário no que diz respeito ao uso de novas tecnologias?

Será que foi precisa uma pandemia mundial para se iniciar uma revolução no mercado imobiliário no que diz respeito ao uso de novas tecnologias? Parece que sim, embora já muitos agentes imobiliários e empresas tenham optado pela estratégia digital antes das nossa vidas terem sido condicionadas. Mas, e quem procura casa? Os compradores estão confortáveis com esta nova realidade? Tentámos perceber um pouco mais.

Percorrer todos os cantos da casa

Agora já é possível demorar o tempo que se quiser dentro da futura casa, ver e rever todos os detalhes com a sensação de que estamos, mesmo, dentro de quatro paredes. Várias plataformas estão a disponibilizar estas opções, para que quem procura um local para viver possa percorrer todos os cantos ao mais ínfimo detalhe.

E as pessoas gostam: “Temos recebido vários pedidos de visitas virtuais
e videochamadas de clientes interessados nas nossas casas”, sublinha Sofia Salgueiro, da FIKA Real Estate, fazendo perceber que a necessidade de adaptação é também da parte do cliente comprador. “É muito desafiante, mas também é muito interessante fazer uma visita virtual pelo imóvel ao mesmo tempo que o nosso cliente, como se estivéssemos lado a lado. Ele na sua casa, nós na nossa. Perceber que conseguimos estar conectados
e fazer o nosso trabalho, mesmo em confinamento social, é muito libertador”, acrescenta.

Fonte: Pinterest

Plataformas a ganhar força

Se antes, quem procurava casas no seu telemóvel ou computador, dava importância às boas fotografias, boa descrição e bom preço, agora os vídeos, tours virtuais e contactos por videochamada com consultores vão passar a ser rotina para quem compra. E já várias agências no mercado começaram a lançar as suas próprias plataformas para promover ainda melhor os seus imóveis, veja-se o caso da KW, que lançou o Consultor Virtual ou a Zome, com a Zome Now que possibilita a proposta de compra e reserva direta.

A britânica Galliard fechou há pouco tempo a sua primeira grande transação através da sua plataforma de visitas virtuais. Também as plataformas de imobiliário, como o caso da Idealista, lançaram novos trunfos nesta era digital.

A adaptação dos consultores

Algumas questões se colocam: como irá o mercado continuar a vender, comprar e alugar imóveis? Serão as visitas virtuais uma ferramenta “normal” daqui a uns meses?

“Alguns dos nossos clientes compradores estão a pedir isso mesmo, visitas virtuais, vídeos das casas, videochamadas para poderem saber mais e ver um pouco mais da casa antes de avançarem para uma visita física (quando ela puder acontecer)”, conta-nos Sofia Salgueiro, da FIKA Real Estate, uma das agências no mercado que já antes do confinamento social obrigatório, dava uso às novas tecnologias para mostrar os seus imóveis.

Já Miguel Mello, da Equipa Miguel Mello KW Área Carcavelos, conta-nos que usa agora novas ferramentas para comunicar tanto com clientes, como com a sua equipa: Zoom, WastApp, Facebook, Instagram, YouTube tornaram-se indispensáveis. “O digital veio para ficar, mas os compradores não vão dispensar uma visita física a um imóvel antes de o comprarem. Os consultores e as empresas que melhor e mais rapidamente se adaptarem são as que vão ter mais sucesso.”

Rolando Assunção, da Vertis concorda. “A venda concretiza-se, obviamente, com a presença das pessoas, mas estas ferramentas vieram para facilitar e ajudar o processo de compra/venda”. Para isso, “estamos a reformular o nosso website, algo que já estava em curso, mas agora ainda com maior rapidez, para desenvolver novas ferramentas para no futuro termos visitas virtuais a todos os nossos imóveis. Não tenho dúvidas nenhuma que o Futuro é digital e nós vamos adaptar-nos a isso mesmo”.

É certo que, vender ou comprar uma casa hoje e no futuro, nunca mais será igual.


Catarina Ribeiro

April 13, 2020 - 8:00 am

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